Como avaliar esteticamente um website
Salvador, quarta-feira, 13/9/2002 – ATARDE – Caderno de Informática – página 4
Todo mundo acha o máximo ser elogiado. Mas, aceitar uma crítica por mais construtiva que seja…
Não faz parte da natureza do ser humano aceitar que está cometendo algum tipo de erro. Só para registrar: e quem foi que disse que eu sou deste planeta?
Mas, voltando à nossa existência terrena e complicada, ninguém precisa ser especialista para dizer que não consegue ficar muito tempo dentro de um site desestruturado.
Posso até reforçar alguns fatores já citados que espantam os visitantes:
- cores muito fortes;
- usar a mesma cor de link com a mesma cor de “BG”(background=fundo da página);
- muitos “penduricalhos” que deixa o site parecendo árvore de natal;
- obrigar o usuário a deixar seu e-Mail para poder acessar o site sem deixá-lo ver o conteúdo antes;
- uso abusivo de javascript (um exemplo: aquele reflexo de imagens presumindo um rio virtual), representando uma realidade que não existe na Internet;
- e muitos outros fatores que não caberiam nessa “listinha”…
Um rio é um rio e a tela do computador é a tela do computador.
Mas, só para matar a curiosidade dos que não aceitam que suas “crias” possam ser analisadas dentro dos padrões normais de estética e informação, segue abaixo uma “receitinha de bolo” que utilizo na avaliação de um website. Acredito que a grande maioria dos profissionais em design para web usa essa técnica:
Divido o mesmo em três categorias: design, conteúdo e navegabilidade;
- Em design, procuro avaliar a estética visual, o estilo, a originalidade, a integração dos elementos e a arquitetura de informação.
- Em conteúdo, observo a variedade, o volume, a relevância e a interatividade;
- Em navegabilidade, observo as tecnologias usadas e os elementos. Analiso os links e sua disposição nos espaços das páginas, o peso das páginas, o tempo de carregamento delas, a lógica e a facilidade de navegação, a otimização e a racionalização dos elementos (assuntos e informações).
Essa semana vi numa revista especializada em Internet que um bom exemplo de um site que não deu certo. O megasite de roupas e artigos esportivos da Boo. Nele foram gastos milhões de dólares (sem exagero) e… Faliu. Foi a primeira grande empresa da Internet a quebrar. Sabe porque?
O site era lento e complicado (irritava os comsumidores), usava de frames inúteis, o que poderia ser feito com tabelas foi feito com frames. Tinha uma janela que não deixava você a vontade para navegar (os menus e o endereço da url forma escondidos, dificultando a navegação, como aquelas janelas que tomam todo o espaço da tela do monitor. Usavam imagens para trabalhar pequenos textos, carregando muito a página.
Eu sempre digo em minhas aulas: “less is more…” que para o design significa: na simplicidade estão os melhores resultados.
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