Sunday, February 5, 2012
 

O cliente nem sempre tem razão

Salvador, quarta-feira, 27/9/200o – ATARDE – Caderno de Informática – página 5
André! Você é doido? “Fale” baixo para o cliente não ouvir!
Falar baixo? Eu ficando doido? Estar doido é estado de espírito ou é o espírito no estado em que se encontra? Quem sabe? Ou será que você está doido e não sabe?
Rapaz, ainda não pensei muito nisso. Mas quem sabe, sei lá entende…
Se você é do tipo de profissional que deixa o cara entrar em sua empresa gritando para todo mundo, colocando os pés na mesa, exigindo que você ofereça pizza ao invés de deliciosos biscoitinhos, provavelmente você vai acentar o que ele quer e vai dizer: “o sr. tem razão, o pessoal daqui é surdo. Pode colocar os pés na minha mesa que eu vou buscar sua pizza!”
Eu estou exagerando? Acho que não. Tá certo, falar que o cliente pede pizza foi forte demais, mas, quem nunca teve um cliente desse tipo? Você nunca teve? Então meus parabéns! você tem o “corpo fechado”.
Agora me responda: se, por acaso, num desses dias em que nada dá certo, aparecer assim do nada um cliente com esse perfil, você vai conseguir desenvolver um bom serviço para ele? A pressão no “pé do seu ouvido” vai ser tal que não tem criatividade que supere o desgosto da hora em que ele pisou os pés no seu cantinho.
Essa máxima de que “o cliente sempre tem razão” para mim não existe. Esse papo de aceitar tudo que o cliente quer, ou o que ele acha que deve ser, só porque quem está pagando é ele é perigoso.
Se não existe uma concordância, uma cumplicidade entre vocês é preferível não desenvolver o produto desse cliente. Provavelmente essa quantida que se pretende ganhar não valha a pena e vai te trazer sérios transtornos.
Nossa profissão as vezes é ingrata. Todo mundo acha que sabe um pouco de Design. E o cliente acha que sempre tem um parente que faz alguma coisa em Design.
Quando você termina o trabalho ele diz: “você só fez isso? Meu sobrinho faz a mesma coisa bem mais rápido!”
Tava demorando…
O famigerado, o sobrinho, o sabichão. Aliás, esse sobrinho para mim é que nem cabeça de bacalhau (eu nunca vi uma, mas sei que existe). Você já viu? “Poseh”.
O sobrinho é aquele que em 10 minutos consegue o seu cliente, faz tudo só pegando no mouse rapidinho e “cria” um logotipo. E ainda recebe do titio um elogio: “parabéns fulando! ficou lindo esse círculo roxo com essas letras azuis!” – E o cara vai para casa feliz da vida…
Acontece também do cliente gostar do website do concorrente e dizer: “quero que você faça para mim algo parecido com o dele.” Ter uma referência é uma coisa, mas, fazer da referência o seu trabalho?!
Perguntas?
E se o website da concorrência tiver custado uma quantia maior do que o cliente está disposto a pagar?
E se ele não gostar do trabalho que eu fiz?
E se ele vier pedir lazanha no lugar da pizza?
E se ele colocar os pés em minha mesa de novo na próxima reunião e resolver tirar os sapatos da moda e subir o “furtunço” do chulé?
E se isso, se aquilo, se aquilo outro?
E, e… e e?…
Com certeza provavelmente virão os mas – também – c0ntudo – senão – todavia – entretanto – não obstante métodos para tentar aliviar o fato de ter aceitado o serviço desse “cliente problema”.
Esse papo de que tem que ser assim porque quem está pagando quer assim está fora da minha forma de trabalhar.
O certo é dizer que tem que ser assim porque eu e meu cliente chegamos a um senso comum e concordamos que deveria ser assim. E, se você acha que tenho medo de escrever tudo isso se enganou. Sabe porque? Porque meus clientes aceitam discutir e dialogar comigo. Trocamos críticas e sugestões e por mais incrível que pareça são seres humanos.
Clientes, de uma coisa tenham certeza: vocês nem sempre tem razão!

Salvador, quarta-feira, 27/9/200o – ATARDE – Caderno de Informática – página 5

André! Você é doido? “Fale” baixo para o cliente não ouvir!

Falar baixo? Eu ficando doido? Estar doido é estado de espírito ou é o espírito no estado em que se encontra? Quem sabe? Ou será que você está doido e não sabe?

Rapaz, ainda não pensei muito nisso. Mas quem sabe, sei lá entende…

Se você é do tipo de profissional que deixa o cara entrar em sua empresa gritando para todo mundo, colocando os pés na mesa, exigindo que você ofereça pizza ao invés de deliciosos biscoitinhos, provavelmente você vai acentar o que ele quer e vai dizer: “o sr. tem razão, o pessoal daqui é surdo. Pode colocar os pés na minha mesa que eu vou buscar sua pizza!”

Eu estou exagerando? Acho que não. Tá certo, falar que o cliente pede pizza foi forte demais, mas, quem nunca teve um cliente desse tipo? Você nunca teve? Então meus parabéns! você tem o “corpo fechado”.

Agora me responda: se, por acaso, num desses dias em que nada dá certo, aparecer assim do nada um cliente com esse perfil, você vai conseguir desenvolver um bom serviço para ele? A pressão no “pé do seu ouvido” vai ser tal que não tem criatividade que supere o desgosto da hora em que ele pisou os pés no seu cantinho.

Essa máxima de que “o cliente sempre tem razão” para mim não existe. Esse papo de aceitar tudo que o cliente quer, ou o que ele acha que deve ser, só porque quem está pagando é ele é perigoso.

Se não existe uma concordância, uma cumplicidade entre vocês é preferível não desenvolver o produto desse cliente. Provavelmente essa quantida que se pretende ganhar não valha a pena e vai te trazer sérios transtornos.

Nossa profissão as vezes é ingrata. Todo mundo acha que sabe um pouco de Design. E o cliente acha que sempre tem um parente que faz alguma coisa em Design.

Quando você termina o trabalho ele diz: “você só fez isso? Meu sobrinho faz a mesma coisa bem mais rápido!”

Tava demorando…

O famigerado, o sobrinho, o sabichão. Aliás, esse sobrinho para mim é que nem cabeça de bacalhau (eu nunca vi uma, mas sei que existe). Você já viu? “Poseh”.

O sobrinho é aquele que em 10 minutos consegue o seu cliente, faz tudo só pegando no mouse rapidinho e “cria” um logotipo. E ainda recebe do titio um elogio: “parabéns fulando! ficou lindo esse círculo roxo com essas letras azuis!” – E o cara vai para casa feliz da vida…

Acontece também do cliente gostar do website do concorrente e dizer: “quero que você faça para mim algo parecido com o dele.” Ter uma referência é uma coisa, mas, fazer da referência o seu trabalho?!

Perguntas?

E se o website da concorrência tiver custado uma quantia maior do que o cliente está disposto a pagar?

E se ele não gostar do trabalho que eu fiz?

E se ele vier pedir lazanha no lugar da pizza?

E se ele colocar os pés em minha mesa de novo na próxima reunião e resolver tirar os sapatos da moda e subir o “furtunço” do chulé?

E se isso, se aquilo, se aquilo outro?

E, e… e e?…

Com certeza provavelmente virão os mas – também – c0ntudo – senão – todavia – entretanto – não obstante métodos para tentar aliviar o fato de ter aceitado o serviço desse “cliente problema”.

Esse papo de que tem que ser assim porque quem está pagando quer assim está fora da minha forma de trabalhar.

O certo é dizer que tem que ser assim porque eu e meu cliente chegamos a um senso comum e concordamos que deveria ser assim. E, se você acha que tenho medo de escrever tudo isso se enganou. Sabe porque? Porque meus clientes aceitam discutir e dialogar comigo. Trocamos críticas e sugestões e por mais incrível que pareça são seres humanos.

Clientes, de uma coisa tenham certeza: vocês nem sempre tem razão!

VN:F [1.9.13_1145]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.13_1145]
Rating: 0 (from 0 votes)
 

Comentários

No comments so far.
  • Leave a Reply
     
    Your gravatar
    Seu Nome
     
     
     

     
     
 
Sobre André Miranda

Designer e escrevinhador que gosta de trocar umas palavras.

Leia mais »
(RSS)

Assinte minhas feeds

Cadastre-se »
Fale comigo

Precisa falar comigo?
Envie uma mensagem

Fale comigo »