Sunday, September 5, 2010
 

Eu quero a minha mãe!

Salvador, quarta-feira, 9/5/2001 – ATARDE – Caderno de Informática – página 5
- Design na WEB
Sinto falta de quando era criança e ficava esperando ela chegar do trabalho.
Às vezes me pego rindo das artes que fazia e que a deixava de cabelo em pé. Ficava contando o tempo, na pressa de vê-la chegar em casa, e não conseguia por muitas vezes, porque a “véia” demorava de chegar e a gente pequeneninho não aguentava ficar acordado até tarde.
Dias atrás lembrei dos interruptores das lâmpadas. Era só a gente dar o azar de uma lâmpada queimar quando entrava no quarto e ouvia ela dizer: “êta menino que não tem modos para ligar a luz… queimou a lâmpada do quarto!” (?!), ou então: “Meu fiiiilho… tá fazendo calor, onde você vai com essa roupa toda?”, como se todo o frio e calor do mundo passasse por ela antes.
Lembro quando brigava na escola, ou tirava alguma nota boa. Ia correndo para casa na intensão de livrar a cara de contar minha versão da briga ou dizer a novidade para ela.
Hoje moro em minha casa, e ultimamente tenho visto muito pouco minha mãe. Lembro quando ela pegou meu carrinho de pilha de natal e deu para a filha de sua amiga que não tinha presente para ganhar no aniversário e que fiquei muito triste, pois, não entendia porque ela tinha feito aquilo comigo, afinal EU era o filho dela…
Lembro de quando passei no vestibular, onde as cinco da manhã dei um pulo na cama dela, derrubei a cama e quasei a matei de susto. Lembro quando disse que ia casar e ela falou: “você tá de brincadeira…” e eu com minha cara cínica disse: “tô não…”
Mãe, hoje nossos horários são incompatíveis, ficando raramente alguns sábados para colocarmos nossas idéias em dia como fazíamos na época em que morávamos juntos. Hoje, tudo que sou devo ao véio e a você.
E, eu que pensava que isso tudo era exagero, até os meus filhos nascerem. Hoje vejo que Alinny é do mesmo jeito. Tema as mesmas manias de D. Ivone. Aliás, toda mãe tem sempre a mesma mania de querer o melhor para seus filhos por mais pestinhas que eles sejam.
Hoje entendo porque a gente se pegava as vezes e porque deliberadamente deu meu carrinho de pilha aquela menina. O ciclo da vida nunca terá fim. Provavelmente Babi fará a mesma coisa com meus netos…
Por isso dedico esse texto a Alinny (minha amante, mulher, namorada, filha e mãe), para D. Ivone (que teve o saco de me aturar até hoje), D. Rosa (a sogrona), e todas as mães do mundo: obrigado por vocês existirem e estarem sempre em nossas vidas de sonhos e realidades.
P.S. para D. Ivone: essa puxação de saco é para amenizar as horas perdidas ao ficar ouvindo meus lamentos dos clientes chatos! Amo você.

Salvador, quarta-feira, 9/5/2001 – ATARDE – Caderno de Informática – página 5

Sinto falta de quando era criança e ficava esperando ela chegar do trabalho.

Às vezes me pego rindo das artes que fazia e que a deixava de cabelo em pé. Ficava contando o tempo, na pressa de vê-la chegar em casa, e não conseguia por muitas vezes, porque a “véia” demorava de chegar e a gente pequeneninho não aguentava ficar acordado até tarde.

Dias atrás lembrei dos interruptores das lâmpadas. Era só a gente dar o azar de uma lâmpada queimar quando entrava no quarto e ouvia ela dizer: “êta menino que não tem modos para ligar a luz… queimou a lâmpada do quarto!” (?!), ou então: “Meu fiiiilho… tá fazendo calor, onde você vai com essa roupa toda?”, como se todo o frio e calor do mundo passasse por ela antes.

Lembro quando brigava na escola, ou tirava alguma nota boa. Ia correndo para casa na intensão de livrar a cara de contar minha versão da briga ou dizer a novidade para ela.

Hoje moro em minha casa, e ultimamente tenho visto muito pouco minha mãe. Lembro quando ela pegou meu carrinho de pilha de natal e deu para a filha de sua amiga que não tinha presente para ganhar no aniversário e que fiquei muito triste, pois, não entendia porque ela tinha feito aquilo comigo, afinal EU era o filho dela…

Lembro de quando passei no vestibular, onde as cinco da manhã dei um pulo na cama dela, derrubei a cama e quasei a matei de susto. Lembro quando disse que ia casar e ela falou: “você tá de brincadeira…” e eu com minha cara cínica disse: “tô não…”

Mãe, hoje nossos horários são incompatíveis, ficando raramente alguns sábados para colocarmos nossas idéias em dia como fazíamos na época em que morávamos juntos. Hoje, tudo que sou devo ao véio e a você.

E, eu que pensava que isso tudo era exagero, até os meus filhos nascerem. Hoje vejo que Alinny é do mesmo jeito. Tema as mesmas manias de D. Ivone. Aliás, toda mãe tem sempre a mesma mania de querer o melhor para seus filhos por mais pestinhas que eles sejam.

Hoje entendo porque a gente se pegava as vezes e porque deliberadamente deu meu carrinho de pilha aquela menina. O ciclo da vida nunca terá fim. Provavelmente Babi fará a mesma coisa com meus netos…

Por isso dedico esse texto a Alinny (minha amante, mulher, namorada, filha e mãe), para D. Ivone (que teve o saco de me aturar até hoje), D. Rosa (a sogrona), e todas as mães do mundo: obrigado por vocês existirem e estarem sempre em nossas vidas de sonhos e realidades.

P.S. para D. Ivone: essa puxação de saco é para amenizar as horas perdidas ao ficar ouvindo meus lamentos dos clientes chatos! Amo você.

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