Preciso urgente de uma namorada…
Salvador, quarta-feira, 11/7/2001 – ATARDE – Caderno de Informática – página 5
Estava num dilema. Precisava de uma namorada urgente, mas, o que fazer para achar uma pretendente…
Já sei, vou anunciar no jornal: “Procura-se namorada para compromissos futuros. Favor ligar para meu telefone.”
Ciente de que a qualquer momento alguém ligaria fiquei ansioso. Passavam os dias e nada…
Mas, um belo dia, lá pela meia-noite o telefone toca. Após alguns minutos de conversa minha pretendente e eu marcamos um encontro. Alguns minutos passam e, outra ligação – outra conversa e outro encontro marcado.
Parecendo brincadeira, o telefone toca novamente e marco outro encontro. Para quem não tinha ninguém, três pretendentes? Rapaz, tô cotado!
Dormi feliz da vida na certeza de achar a pessoa certa, pois, com três opções, descobriria os pós e os contras de um relacionamento a dois. Acordei ansioso em conhecê-las.
Em horários diferentes conversei com cada uma delas, senti o que tinham para compartilhar comigo e fiquei numa situação pior do que quando procurava alguém: eu precisava de um pouco mais de tempo com as três para escolher com qual ficaria.
Marquei outro encontro com as três ao mesmo tempo. Quando cheguei elas estava conversando normalmente. Sentei e propus que seria necessário ficar um mês com cada uma delas para saber com quem ficar.
E, para minha surpresa, as três caíram na gargalhada, deram as costas, foram “simbora” e eu fiquei com “cara de tacho”. Quem muito quer…
Parece estranho todo esse papo né? Mas, é assim que o cliente acha que a gente deve trabalhar.
Ele escolhe as empresas, vê o que elas tem como portifolio, gosta de alguns trabalhos já desenvolvidos para outras empresas, conversa com as pessoas envolvidas em cada uma delas e solicita uma solução.
Mas a solução que ele quer deve ser “experimentada” primeiro. Se a sua for a melhor, provavelmente, quem sabe, e se tudo der certo, ele contratará você…
Chame como quiser: especulação, concorrência especulativa, tipo de solicitação padrão da empresa, ou outros “nomes”. Sem o menor respeito e, com tremenda falta de ética e respeito, ele acha que para aprovar o trabalho precisa de uma peça ou projeto com idéias pré-definidas e ainda tem coragem de zier que é de praxe da empresa solicitar soluções deste tipo.
Ele sabe que isso tudo gera custo para nossas empresas. Mas, alguns se achando espertinhos tem a coragem de dizer: “você quer participar? Então tem que ser assim…”
Eu não participo, e nunca farei parte deste tipo de concorrência. Eu passo a bola. Vamos tentar evitar essa prática porque só deprecia nosso trabalho. Se nós não conscientizarmos nosso clientes e colocarmos na cabeça dees que esse tipo de coisa não pode existir, poderemos dizer para que viemos e porque escolhemos essa profissão como nosso ganha-pão.
Aceitar isso é ser explorado, é anti-ético e desprezível…
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