A FESTA DE SÃO JOÃO
Os festejos de São João chegaram até nós trazidos pelos portugueses.
Embora tenha sofrido transformações através do tempo, ainda são cultivadas várias das tradições desta festa – que convive bem com a modernidade – principalmente na grande maioria das cidades do Nordeste.
Vamos passear por algumas delas:
enfeitar a casa - com bandeirolas, balões, palha de coqueiro, tudo enfim que lembre um arraial;
iluminar a casa e o terreiro - com lampião, gambiarra... aí é que você não vai curtir nada;
preparar as comidas - quase todas à base de milho como canjica, pamonha, milho cozido, bolo de milho verde, bolo de aipim (macaxeira), laranja, amendoim cozido;
providenciar as bebidas – licor – principalmente de jenipapo; quentão- para o nosso friozinho nordestino – e a cerveja de sempre;
acender fogueira - e nela assar milho, batata, pular a fogueira para se tornar comadre ou compadre com os dizeres :

São dormiu, São João acordou,
Vamos ser ‘cumade’ (‘cumpade’)
Que São João mandou.

soltar fogos - aproveitando a brasa da fogueira – bomba, foguete, estrelinha, traque de massa, chuvinha de ouro ou de prata, cobrinha elétrica, vulcão, rojão, espada e muito, bastante cuidado pois esta brincadeira é por demais perigosa
levantar um mastro - ao lado da fogueira, em praça pública, como acontece em Laranjeiras, minha terra natal;
dançar quadrilha – organizada ou improvisada com parentes e amigos;
mandar ver um bom forró – daqueles de levantar poeira, estilizado ou o velho “pé de serra”, em som mecânico ou com o trio de zabumba, sanfona e triângulo, com músicas de duplo sentido ou sentindo saudades do ‘Véio Lula’: “olha pro céu meu amor, veja como ele está lindo” .... até o dia clarear;
sair de casa em casa perguntando: São João passou aqui? Se passou é entrar, comer e beber a granel;
fazer adivinhações - enfiando uma faca em uma bananeira para aparecer o nome do pretendente; colocar água em uma bacia, acender uma vela e deixar os pingos caírem na água para formar a primeira letra do futuro amor e tantas outras;

Já os balões, pelo fato de se tornarem muito perigosos pela possibilidade de provocar incêndios, ninguém mais se reúne para confeccioná-los.
Assim, virou apenas enfeite.